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O cateter venoso central (CVC) é um dispositivo médico indispensável na prática clínica moderna, utilizado para uma vasta gama de finalidades, como a administração de medicamentos, nutrição parenteral, monitoramento hemodinâmico e acesso vascular de longa duração. Contudo, a inserção de um CVC é um procedimento complexo e associado a riscos significativos. Uma recente e abrangente revisão sistemática e meta-análise publicada no JAMA Internal Medicine em , que analisou estudos, revelou que as complicações mais comuns incluem falha na inserção do cateter, punção arterial, pneumotórax, mau posicionamento do cateter, infecções da corrente sanguínea associadas ao cateter (CLABSI) e trombose venosa profunda . O estudo aponta que aproximadamente % das inserções de CVC resultam em complicações graves, ressaltando a necessidade crítica de treinamento rigoroso e da adoção de técnicas mais seguras para mitigar esses riscos.

O Papel da Simulação no Treinamento para Inserção de Cateter Venoso Central
Diante dos desafios técnicos e dos riscos inerentes ao procedimento, o ensino da inserção de CVC transcende a mera transmissão de conhecimento teórico. A aquisição de habilidades psicomotoras refinadas, a prática em ambiente controlado e a capacidade de gerenciar eventos adversos são competências essenciais para garantir a segurança do paciente. Nesse contexto, o treinamento baseado em simulação consolidou-se como um pilar fundamental na formação de médicos e outros profissionais de saúde. Um estudo de , conduzido no The Ohio State University Wexner Medical Center, investigou a implementação de um currículo de simulação para treinar estagiários na inserção de CVCs, utilizando a metodologia de Simulation-Based Mastery Learning (SBML). Este modelo educacional exige que todos os alunos atinjam um nível mínimo de desempenho predefinido para serem considerados competentes. O programa envolveu estagiários de especialidades diferentes, que passaram por pré-testes, sessões de prática deliberada com feedback estruturado em simuladores e reavaliações contínuas. Os resultados foram expressivos: % dos participantes atingiram a competência na primeira avaliação pós-prática, e % foram aprovados antes de iniciarem suas atividades clínicas supervisionadas, com uma melhora estatisticamente significativa nos escores de desempenho (P < ,) . Notavelmente, durante o treinamento, ,% dos participantes realizaram ações perigosas, como a retenção do fio-guia ou a dilatação acidental da artéria carótida. Esses erros, contudo, foram identificados e corrigidos em um ambiente seguro, reforçando o valor da simulação como uma ferramenta para a identificação precoce de riscos e para a consolidação de práticas seguras antes do contato com pacientes reais. Técnicas Modernas e a Redução de Complicações A evolução das técnicas de inserção de CVC tem sido um fator determinante na redução de complicações. A transição da tradicional técnica baseada em marcos anatômicos para a inserção guiada por ultrassom em tempo real representa um dos avanços mais
significativos na segurança do procedimento. Evidências robustas, incluindo metanálises e ensaios clínicos, demonstram que o uso do ultrassom diminui drasticamente as taxas de complicações mecânicas. A punção da veia jugular interna, o sítio mais estudado, apresenta uma redução expressiva de falhas e complicações quando guiada por imagem .

Complicação                                             Técnica com Marcos Anatômicos                       Técnica Guiada por Ultrassom                 Fonte
Punção Arterial Acidental                                    4%–9%                                                                                 <1%                                                   4 
Pneumotórax (acesso subclávio)                        1%–6%                                                                       <1% (acesso jugular)                           4
Falha na Inserção                                      Significativamente maior                                                    Menor risco relativo                         3
Hematomas                                                                ~10%                                                                                        ~4%                                                4

Além de minimizar os riscos mecânicos, a ultrassonografia permite a visualização direta das estruturas vasculares, a identificação de variações anatômicas e a confirmação do correto posicionamento do fio-guia, tornando o procedimento mais preciso e seguro. Uma avaliação de custo-efetividade realizada no Reino Unido demonstrou, inclusive, que o uso do ultrassom gera economia de recursos ao prevenir complicações onerosas . Prevenção de Infecções da Corrente Sanguínea (CLABSI) As infecções da corrente sanguínea associadas a cateteres venosos centrais (CLABSI) representam uma das complicações tardias mais graves e onerosas, com taxas que podem chegar a – eventos por . dias de cateter e um risco cumulativo de % a % em um ano de uso. A prevenção de CLABSI é uma prioridade global, com diretrizes claras emitidas por organizações como o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). As medidas de prevenção, frequentemente agrupadas em bundles (pacotes de intervenções), incluem:
• Higiene rigorosa das mãos antes e após a inserção e qualquer manipulação do cateter.
• Uso de precauções máximas de barreira estéril durante a inserção (gorro, máscara, avental estéril, luvas estéreis e campos estéreis amplos).
• Antissepsia da pele com clorexidina alcoólica antes da punção.
• Seleção de um sítio de inserção apropriado, preferindo a veia subclávia em adultos quando possível para reduzir o risco de infecção.
• Revisão diária da necessidade do cateter e sua remoção assim que não for mais essencial.

A Convergência entre Simulação e Prática Segura
O treinamento baseado em simulação não apenas aprimora a habilidade técnica, mas também serve como a plataforma ideal para a internalização de protocolos de segurança modernos. Simuladores, como o Gphantom Acesso Venoso Central, permitem que os profissionais pratiquem repetidamente a técnica de inserção guiada por ultrassom em um modelo que simula a anatomia e a resposta tátil dos tecidos humanos. Este ambiente de aprendizado seguro e controlado é crucial para que os alunos ganhem confiança no uso do ultrassom, aprendam a manipular o equipamento e a interpretar as imagens, e incorporem todas as etapas do bundle de prevenção de CLABSI em sua prática rotineira. Ao integrar o treinamento em simuladores de alta fidelidade com um currículo baseado em competências, as instituições de saúde podem  garantir que seus profissionais estejam não apenas tecnicamente proficientes, mas também plenamente alinhados com as melhores práticas internacionais para a segurança do paciente.

Conclusão
O acesso venoso central, embora rotineiro, permanece um procedimento de alto risco que exige excelência técnica e adesão estrita a protocolos de segurança. A literatura científica recente reforça que a combinação de técnicas avançadas, notadamente a inserção guiada por ultrassom, com um treinamento estruturado e baseado em simulação, é a estratégia mais eficaz para minimizar complicações. Ao investir na capacitação contínua de seus profissionais e na adoção de tecnologias que promovem a segurança, as instituições de saúde podem reduzir significativamente as taxas de falhas, complicações mecânicas e infecções, garantindo melhores desfechos para os pacientes.

Referências
[1] Teja, B., Bosch, N. A., Diep, C., et al. (2024). Complication Rates of Central Venous Catheters: A Systematic Review and Meta-Analysis. JAMA Internal Medicine, 184(5), 474–482.
[2] Yee, J., Holliday, S., Spitzer, C. R., et al. (2024). Preparing interns for clinical practice through an institution-wide simulation-based mastery learning program for teaching central venous catheter placement. Medicine, 103 (23), e38346.
[3] H. de Oliveira, R., & Mendes, F. (2011). Acesso venoso central guiado por ultrassom: qual a evidência?. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, 23(2), 221-227.
[4] Corvino, F., D’antuono, F., Giurazza, F., et al. (2025). Complications of tunneled central venous catheter placement: a narrative review of risks, prevention, and management strategies. Frontiers in Radiology.
[5] Centers for Disease Control and Prevention (CDC). (2025). Central Line-associated Bloodstream Infection (CLABSI).
[6] World Health Organization (WHO). (2024). New guidance aims to reduce bloodstream infections from catheter use.
[7] Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). (s.d.). Protocolo para Prevenção de Infecção Primária de Corrente Sanguínea (IPCS). Governo do Brasil.